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Um exemplo a ser seguido

por Celso Franco*

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Acabo de tomar conhecimento de que, numa demonstração de autocrítica e senso de responsabilidade, o governo do estado resolveu convocar quem sabe mais sobre segurança, em eventos especiais, para que nos ensine, ou assessore, na segurança durante a Olimpíada. Escolheram os técnicos alemães, embora, em 1972, na Olimpíada de Munique, não pudessem evitar a tragédia que se abateu sobre a delegação do Estado de Israel.
Não me cabe julgar o porquê da escolha, mas devo, numa coluna sobre trânsito, apelar para que as autoridades responsáveis pelo trânsito desçam do Olimpo, onde julgam estar, e convoquem quem tem experiência no assunto, principalmente em eventos especiais esportivos. O apelo cresce de importância quando se constata que, na última reunião internacional  da Rio+20,  houve uma unanimidade na avaliação do nosso trânsito, entre péssimo e ruim.
Neste caso, sim, a escolha poderia ser pelos alemães que, inclusive, atuam no trânsito de Londres (dos melhores do mundo) através da sua Siemens.
De minha parte, por ser um “anglófilo inveterado”, escolheria os ingleses, por ser Londres uma cidade que apresenta o mais completo sistema de transportes do mundo e vive inovando em mobilidade urbana e traffic calming.Alem disso, estará vivendo uma Olimpíada  este  ano, portanto mais atualizada do que quem a fez quarenta anos atrás.
Encontra esta escolha um obstáculo na observação de Raimond Chandler, em carta escrita para Dale Warren, em 1952, constante do livro The Oxford Book of London, quando assim se expressou: “O trânsito de Nova York não parece ser administrado. É um caos. O trânsito de Londres, falando em termos gerais e considerando o antiquado padrão de suas ruas, é soberbamente administrado”. E concluindo: “Naturalmente que o nosso sistema não funcionaria em Nova York, uma vez que a sua aplicação depende de um certo padrão de decência e da obediência às leis”.
Ora, se não poderia funcionar em Nova York, pelas razões apontadas, o que fará no nosso Rio, onde campeia desobediência às leis e, quanto à decência…Deixa pra lá.
Então, como ficamos?
Contratar a assessoria cabocla, e, felizmente, temos excelentes técnicos, na iniciativa privada, uma vez que os vencimentos pagos no serviço público não os entusiasmam. Seria uma temeridade, pois estaria contrariando a velha máxima de que “santo de casa não faz milagres”. E, convenhamos, para colocar o trânsito do Rio em condições de julgamento de bom a ótimo, só um milagre, e este deveria ser de fora, de um país, onde existissem mais santos canonizados.

 

*Celso Franco
Oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. – acfranco@globo.com

Opinião publicada originalmente no Jornal do Brasil, em 23/07/2012.

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