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Uso racional do automóvel

por Cristina Baddini Lucas*

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É sempre bom que se faça uma reflexão se vamos conseguir deixar para nossos netos um planeta habitável. Será que realmente faz diferença se nós caminhássemos mais, se pedalássemos mais, se andássemos mais de ônibus, se dirigíssemos menos automóveis? Será que nossos hábitos de deslocamento e consumo realmente afetam o planeta?
Até bem recentemente as preocupações com a questão ambiental se ocupavam com campanhas para salvar um animalzinho da extinção ou preservar uma bela paisagem. A natureza parecia tão forte que era difícil imaginar que nosso estilo de vida pudesse afetar a vida do planeta de forma tão significativa.

No entanto, o cenário mudou 
Em 1950 havia somente 86 cidades com mais de 1 milhão de habitantes; atualmente são mais de 400 cidades que contam com mais de 1 milhão de habitantes. Naquele ano, Nova York era uma megacidade solitária no planeta; hoje são 25 cidades e dois terços delas se concentram nos países em desenvolvimento. Foram necessários 100 mil anos para que a população urbana superasse a do campo. Mas em 2025 o percentual da população urbana já será de 61% da população mundial, segundo projeções da ONU (Organização das Nações Unidas).
Infelizmente este crescimento quantitativo das cidades não resultou em um melhoramento qualitativo. Poluição, congestionamento, barulho, falta de água e higiene, bem como a criminalidade, são fatores que concorrem para o estresse dos seus habitantes.
Ar puro, vida urbana de elevada qualidade, idéias sustentáveis para uma cidade saudável, esse é o conceito que todos buscam. No trânsito entre um ponto e outro, governantes, empresários, investidores e especialistas em transportes e meio ambiente, buscam soluções eficazes para os problemas de mobilidade urbana.

Conferência Rio +20
O Rio de Janeiro sediará na semana do meio ambiente, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, vinte anos depois da histórica Conferência do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992.
Existe ampla expectativa, nacional e internacional, de que a Rio+20 se constitua em oportunidade única para mobilização dos recursos políticos necessários para se desenhar uma saída efetiva para a crise urbana, levando em conta a complexidade de seus aspectos econômicos, sociais e ambientais.
A Rio+20 será uma Conferência sobre desenvolvimento sustentável e não apenas sobre meio ambiente. O desafio da sustentabilidade constitui oportunidade excepcional para a mudança de um modelo de desenvolvimento. 

Mobilidade Urbana
É fundamental que o desenvolvimento sustentável também englobe medidas e políticas para fortalecer a sustentabilidade dos sistemas de transportes. Nos transportes urbanos, a sustentabilidade está ligada ao estabelecimento de sistemas eficientes de transporte público que substituam em grande parte o veículo individual. Essas alternativas poderiam diminuir os congestionamentos, reduzir a poluição do ar, os custos dos deslocamentos e os acidentes, tendo impacto direto sobre os gastos públicos com saúde e beneficiando, sobretudo a população de renda mais baixa.

Poluição
A fumaça que sai dos escapamentos é responsável por 40% da poluição nas duas maiores cidades do país. E mais: o transporte, sozinho, já representa 9% das emissões de gases do efeito estufa. Portanto, a indicação do uso de  bicombustíveis representa uma alternativa importante para o setor de transportes com o etanol e o biodiesel.
A sociedade deve despertar para esse fato com urgência e se conscientizar da necessidade e importância do uso mais racional do automóvel.

 

*Cristina Baddini Lucas
Assessora do MDT, colunista do Diario do Grande ABC (Coluna De Olho no Trânsito)

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