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Transtornos psíquicos contribuem para acidentes entre motociclistas

Aumento de 754% nas mortes de motociclistas em dez anos é preocupante e pode ter várias causas. Nesta matéria, especialistas alertam para o perigo da diminuição da capacidade de concentração

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Está em tramitação na câmara dos deputados um projeto de lei que obriga a inclusão, no exame de aptidão física e mental para obtenção da carteira de habilitação, da detecção do transtorno de déficit de atenção e/ou hiperatividade em motociclistas. O autor do PL 7483/10, deputado Osmar Terra (PMDB-RS), usa como argumento uma pesquisa realizada com motoboys em Porto Alegre, publicada na revista European Psychiatry, que aponta o transtorno como causa de acidentes no trânsito.
Nesta pesquisa, 101 motoboys participaram de uma avaliação para diagnóstico psiquiátrico baseada em entrevistas clínicas semiestruturadas. O resultado revelou que 75% dos indivíduos têm histórico de transtorno mental na vida e isto foi associado com um maior número de acidentes de trânsito. O Projeto de Lei já foi aprovado pela Comissão de Viação e Transportes  (CVT) e está na de Constituição e Justiça e de Cidadania  (CCJC) da Câmara dos Deputados.
O professor doutor do departamento de medicina legal da USP, Júlio Rosa, alerta que pessoas com déficit de atenção podem se concentrar bem em um fato e não em outro. Ele explica que a concentração é fundamental no ato de dirigir, por existirem vários elementos que concorrem ao ato. “Tanto que já se demonstrou que as pessoas que falam ao celular, mesmo ao viva voz, correm um risco maior por causa da mudança que sofre no seu foco. Mesmo em baixa velocidade, é fundamental a concentração naquela função que ele ta exercendo naquele momento”, diz.
Porém, sobre o PL,  Júlio Rosa pondera que “acidentes de moto podem ocorrer pela forma aventureira de dirigir ou a sensação de liberdade e poder, e não por causa do déficit”. Para ele, “por conta de um ou outro caso você não pode sacrificar todo mundo. O aprimoramento do exame de aptidão mental custa muito caro, creio que os testes atendem, dentro do possível, às necessidades”.
A médica Doris Moreno, doutora em psiquiatria, lembra que “vários transtornos mentais causam dificuldade de concentração, não apenas o déficit de atenção/ hiperatividade, como a depressão, transtorno bipolar, transtornos ansiosos, dependência/abuso de álcool e /ou drogas”. De acordo com ela, cabe ao médico que trata um paciente orientar quanto à capacidade de dirigir. “Mesmo porque, via de regra, a incapacitação para a direção é transitória. Fica difícil proibir a direção veicular por anos a fio a partir do exame de aptidão mental. E em pessoas que não estão em tratamento, o exame poderia servir como uma triagem (screening), jamais como diagnóstico”, analisa.
Ela lembra ainda que efeitos colaterais de psicotrópicos também podem comprometer temporariamente a direção. “Médicos, pacientes e familiares devem tomar precauções para evitar acidentes de trânsito, fornecendo orientação adequada, acatando sugestões ou intervindo de modo firme se for o caso de proibir a direção”, diz.
Estatística – Em dez anos, aumentou 754% o número de motociclistas mortos em acidentes de trânsito – de 1.047 em 1998 para 8.939 em 2008. O dado foi divulgado em abril, como complemento do estudo Mapa da Violência 2011, elaborado pelo Instituto Sangari. No mesmo período, o crescimento da frota foi de 368,8%.

Serviço
•  Estudo sobre perfil das vítimas de acidente de trânsito. Mais informações aqui.
•  Informações do DPVAT: segundo dados da Seguradora Líder DPVAT, seguro que indeniza vítimas de acidentes de trânsito no país, os últimos cinco anos deixaram mais de 290 mil mortos nas estradas brasileiras. Mais estatísticas e informações no site www.dpvatseguro.com.br .
•  Mapa da Violência 2011: divulgada em fevereiro pelo Ministério da Justiça, documento aponta índices de homicídio no país, com complemento especial sobre as taxas relativas a acidentes de trânsito. Clique aqui para conferir.

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