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Somos todos iguais

por Cristina Baddini*

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O Brasil possui 27 milhões de habitantes com algum tipo de deficiência, volume equivalente a 14,5% da população, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na Região Metropolitana de São Paulo, são 3 milhões de pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida. Durante anos elas foram amparadas por políticas assistencialistas, reflexo do pensamento que pessoas com deficiência não podem seguir suas próprias vontades. Ultimamente, esse quadro vem se transformando e os direitos dessas pessoas estão sendo assegurados não apenas por leis, mas por uma percepção da sociedade que as diferenças entre as pessoas podem ser sutis ou marcantes, mas elas existem desde que o mundo é mundo.
Basta conviver com pessoas com algum tipo de deficiência para entender o verdadeiro sentido da palavra respeito, dignidade, admiração e superação.  É incrível a transformação que acontece dentro da gente quando nos defrontamos com pessoas com mobilidade reduzida Ai vem aquela vontade de transformar a cidade num espaço acessível para todos.

Frota acessível
No passado, o número de veículos coletivos adaptados era muito pequeno. Mas com a criação de lei federal, que tornou obrigatório que todos os ônibus saiam de fábrica preparados para atender portadores de alguma necessidade específica, este cenário está mudando. A norma nº 10.098 determina que até 2014 toda a frota em circulação esteja preparada para atender a estes usuários. Hoje, apenas 40% da frota de ônibus urbano em circulação (105 mil veículos) está preparada para atender a estes usuários.
Para ser acessível o veículo deve atender a pelo menos uma das seguintes exigências: possuir piso baixo (total ou parcial), contar com elevador, ou oferecer “embarque em nível” – quando a calçada fica na mesma altura do veículo – sistema comum nos BRTs (Bus Rapid Transit).
Entretanto, a principal preocupação para que a lei seja atendida no tempo determinado não se refere aos ônibus, mas sim, às calçadas e vias para que estes passageiros tenham condições de chegar até o local para desfrutar do transporte.
É preciso aliar veículos adaptados com uma infraestrutura de qualidade. Não adianta oferecer o veículo de acordo com todas as normas se o passageiro não consegue chegar até o ponto de parada devido às más condições das calçadas. O valor estimado necessário para adaptar os veículos é da ordem de R$ 100 milhões.

As grandes metrópoles
Segundo dados da SPTrans, a capital paulista conta com 3,9 mil veículos adaptados de um total de 15 mil. No Rio de Janeiro – cidade onde a frota é composta por 8,8 mil ônibus – dois mil são acessíveis. Em Belo Horizonte, existem hoje 1,3 mil ônibus com elevador e 152 com piso baixo. No total, 2,8 mil veículos circulam pela cidade. Em Porto Alegre, de 1.597 veículos, 470 unidades estão preparadas para atender estes usuários.

E você?
Precisamos ainda trilhar um longo caminho da inclusão. Você também pode ajudar. Nunca pare nas vagas destinadas as pessoas com deficiência nem em frente a guias rebaixadas nas esquinas. Um cadeirante terá dificuldade para tentar atravessar pela faixa de pedestres usando o rebaixamento.
Só teremos cidades acessíveis quando o respeito pela diversidade estiver arraigado em nossa cultura. Por fim, seja sincero e honesto, delicado e respeitoso, tolerante, bem humorado, com as pessoas com ou sem deficiência.

*Cristina Baddini
Consultora do Diário do Grande ABC, Diretora da ONG Rua Viva, Assessora do MDT. Contato: cristinabaddini@dgabc.com.br; blog: http://olhonotransito.blogspot.com/

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