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Segurança veicular: o que vem de fábrica

Entrevista com Marcus Romaro, consultor automotivo e especialista em segurança veicular e viária

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A Perkons entrevistou o consultor automotivo e especialista em segurança veicular e viária, Marcus Romaro, para saber quais são os padrões de fabricação dos automóveis no Brasil. E porque itens de segurança são obrigatórios em nosso país. 

Perkons: Quando um carro é fabricado no país, ele tem as mesmas características de um veículo, do mesmo modelo, fabricado na Europa, por exemplo?
Marcus Romaro: Todos os veículos são projetados de acordo com normas nacionais e internacionais, além de serem utilizados critérios internos específicos de cada fabricante, os quais muitas vezes superam significativamente os requisitos legais. Basicamente, os veículos são os mesmos, entretanto, com a severidade da legislação, os requisitos de mercado e a exigência dos europeus são significativamente maiores do que os dos brasileiros. Os mesmos modelos de veículos podem possuir diferenças significativas não só de equipamentos, dispositivos, opcionais ou não, como também de estrutura, além, é claro, de motorização (cilindrada, combustível, performance, emissões).

Perkons: As montadoras devem adaptar o carro seguindo critérios da legislação local?
Marcus Romaro: Todas as montadoras são obrigadas a seguir a legislação do país em que vendem seus produtos. As diferenças na severidade da legislação de cada país e os requisitos específicos de cada mercado influenciam significativamente na configuração dos veículos a serem projetados, produzidos e vendidos.
Isto implica, onde a legislação e o mercado são mais exigentes, no projeto mais robusto da estrutura e na adição de sistemas mais modernos e eficientes de auxílio e proteção do motorista e dos ocupantes (freios ABS, air bag frontal, lateral, de cortina, de cabeça, de joelhos, duplo estágio e etc), bem como nos sistemas ativos de tração, estabilidade e assim por diante.
Em mercados menos ricos e desenvolvidos, como os da América Latina, África, Oriente Médio e alguns da Ásia, não é rara a retirada de conteúdo estrutural e a menor disponibilização de equipamentos e dispositivos, visando ao barateamento do produto final e facilitando, assim, a penetração do veículo neste mercado.

Perkons: Há legislação que fale de como devem ser fabricados os carros no país?
Marcus Romaro: Não há legislação sobre ‘como’ os veículos devem ser fabricados, mas sim, sobre o conteúdo mínimo (cinto de segurança, extintor de incêndio, farol e etc, além de freios abs e duplo airbag frontal, que passarão a ser obrigatórios a todos os veículos fabricados no país a partir de 2014) e sobre como eles devem se comportar em nível de performance, emissões, economia de combustível, segurança (ativa e passiva) e outros itens.

Perkons: Na sua opinião, as montadoras e fabricantes empenham-se para fazer carro o mais seguro possível?
Marcus Romaro: Sim. Porém, como segurança também custa dinheiro, e muito, as montadoras são obrigadas a se adequarem às exigências do mercado de cada país para poder oferecer um produto a um preço competitivo. O que sempre digo: o que é vendido na Europa e Estados Unidos está disponível para todos. Basta que se pague o preço. A tecnologia para se fazer um veículo com a qualidade de um Rolls Royce, performance de uma Ferrari ou Porsche ou a segurança de um Volvo já existe. Porém, não é acessível à maior parte da população mundial. Por isso, é razoável supor que não será possível para um veículo popular ter os mesmos níveis de segurança que os veículos citados. Entretanto, na Alemanha, por exemplo, air bag e ABS não são obrigatórios, porém nenhum veículo é vendido lá sem estes dispositivos porque ninguém o compra. Já no Brasil, a maioria gasta muito dinheiro equipando seus veículos com rodas, som e outros itens de customização, muitos deles de eficiência e eficácia duvidosas, mas não pagam por ABS, airbag ou mesmo cadeira de criança por considerarem ‘caros’. E é por isso mesmo que o governo decidiu torná-los obrigatórios, uma vez que a maior parte da população brasileira não tem a consciência do risco e não se preocupa com a sua própria segurança, algo que considero falta de ‘maturidade’ da sociedade brasileira como um todo, que independe de cultura ou nível social.

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