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O condutor veterano e o trânsito

por Bernardo Aguiar*

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Os dados do IBGE sobre o envelhecimento da população gaúcha e a estatística de acidentalidade no trânsito levaram o Detran/RS e o Ministério Público a sentir urgente necessidade de adotar medidas pragmáticas para a redução dos acidentes envolvendo pessoas com mais de 60 anos de idade. No ano passado, 2.839 pessoas nessa faixa etária sofreram acidentes no trânsito que resultaram em lesões corporais e 223 perderam a vida. Em 2010, somente até outubro, já são 228 mortos e 2.618 feridos. Torna-se necessário, portanto, identificar os riscos e oferecer medidas protetoras. Na verdade, com o aumento da idade ocorre declínio da acuidade visual, em especial da visão periférica. Trata-se de um sinal de alerta para as autoridades de trânsito no que se refere à avaliação dos condutores idosos, pois as reações necessárias à direção de veículo dependem fundamentalmente da capacidade visual.
As dificuldades são ainda maiores, quando há doenças oculares como catarata e glaucoma, que de forma lenta, sem sintomas, levam o idoso a, desavisadamente, expor-se e colocar em risco os demais usuários do espaço público. Ademais, muitos motoristas veteranos conduzem sob efeito de medicamentos, os quais podem afetar as funções psicomotoras, causando sedação, distração e disfunções diversas. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e as resoluções do Contran reduzem o intervalo entre as avaliações médicas para a renovação do documento de habilitação, à medida que avança a idade do condutor. O perito médico tem, assim, mais oportunidades para avaliar também doenças crônicas, evitando responder solidariamente pelo envolvimento do avaliado em ocorrência grave. O ato de dirigir é para o idoso um sinal claro de liberdade e autonomia. Porém, é necessária a avaliação criteriosa de sua saúde, para que ele possa aproveitar a vida e não ser transformado em mais um dado trágico nos relatórios estatísticos do Detran gaúcho.

 

*Bernardo Aguiar
Médico da Junta Médica do Conselho Estadual de Trânsito/Cetran

Originalmente publicado no Jornal do Comércio, no dia 20/12/2010.

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