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Nunca vai acontecer comigo

Para especialista, a "síndrome de heroi" é o que ocasiona o comportamento imprudente nos jovens.
Levantamento da Rede de Hospitais Sarah aponta acidentes de trânsito como a maior causa de internações.

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Nunca vai acontecer comigo

Embora ainda traga as consequências do déficit de atenção, Maurício Nezze, de apenas 22 anos, não esquece a data de 20 de janeiro de 2007. Nesse dia, ele sofreu um acidente de automóvel que mudaria completamente a sua realidade. “Eu estava na casa de um amigo e fui para casa; não estava bêbado, mas tinha 18 anos e apenas quatro meses de carteira; ou seja, me achava um Ayrton Senna. Eu realmente considerava que nunca nada aconteceria comigo”, conta.

Maurício pontua que a memória da experiência, que resultou em 12 dias de coma e inúmeras sessões de fisioterapia, ficou mesmo no relato de amigos e família: “Não tenho lembrança do momento exato do acidente porque sofri traumatismo craniano e minha memória apagou o evento, mas acredito que estava na velocidade de, aproximadamente, 170 km/h já que meus amigos falam que eu passava pelo local sempre desse jeito”, diz.
A história do estudante de administração é semelhante à de milhares de jovens que não sobreviveram para decidir que não queriam mais dirigir com imprudência. “Logo após o acidente eu não gravava nada na memória e fui melhorando gradativamente. Hoje penso duas vezes antes de acelerar, vai que acontece de novo. É difícil falar sobre conscientização, eu era muito novo, me achava o super-homem não ouvia o que meu pai falava, não tinha responsabilidade”, reflete Maurício.


Diza Gonzaga: “É preciso desmistificar a síndrome do herói”

E é exatamente esta “síndrome de super-heroi” que o programa `Vida Urgente` combate. Fundado há 14 anos, no Rio Grande do Sul, a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga trabalha com a conscientização de crianças e jovens no trânsito. Diza Gonzaga, mãe de Thiago, que perdeu sua vida num acidente, sempre esteve à frente da organização. “Quando se tem 18, 20 anos vive-se a cultura do heroi. ‘Eu tenho braço, dirijo melhor quando bebo!’ Só que essa cultura é mentirosa e está matando impiedosamente, precisamos desmitifica-la urgentemente!”, alerta Diza.
& nbsp; Ela fala sobre o trabalho que desenvolve no Rio Grande do Sul e Espírito Santo: “Quando começamos a atuar, cerca de sete jovens morriam no trânsito por final de semana em Porto Alegre; hoje ainda morrem dois, mas já conseguimos reduzir. É importante que o motorista entenda que não é caretice pedir que o amigo não dirija quando está bêbado, que ele reduza a velocidade. É caretice morrer aos 18 anos!”, diz.


Programa Vida Urgente – há 14 anos trabalhando na educação de jovens e crianças

A criadora do programa `Vida Urgente` acredita que o trânsito vai além da alçada das secretarias de Transporte. “É uma questão de educação. Hoje, temos muita tecnologia para fiscalizar, mas sabemos que o que realmente mata é o mau comportamento” e alerta os pais sobre a responsabilidade: “Nossos filhos não aprendem a dirigir com 18 anos, mas aos dois anos de idade, no banco de trás, vendo pai ultrapassar em sinal vermelho e não respeitar o trânsito. É ali que começa a formação deles como condutores”, conclui.

A PRINCIPAL CAUSA DE INTERNAÇÕES DA REDE SARAH: Um levantamento da Rede Sarah de Hospitais – referência no tratamento de traumas e reabilitação de patologias do aparelho locomotor – aponta que, desde 1995, os acidentes de trânsito constituem a principal causa de internações de pacientes com lesão medular traumática e também de pacientes que sofreram traumatismos crânio-encefálicos.
A partir de 1997, o Centro de Pesquisas da instituição vem ampliando sua atuação junto ao universo das crianças e jovens por meio de programas de educação abrangendo estudantes dos níveis Fundamental e Médio. A aproximadamente 60.000 jovens já participaram de aulas ministradas pela equipe do Centro de Pesquisas para estudantes em Brasília, Salvador, Belo Horizonte e São Luís.
O conteúdo ministrado abrange noções sobre a biomecânica dos neurotraumas (particularmente a lesão medular e a lesão cerebral) no trânsito e sobre como esses traumas podem advir de práticas inadequadas, tais como o excesso de velocidade, o uso incorreto do cinto de segurança e o consumo de álcool associado ao ato de dirigir. O repasse desses conhecimentos técnico-científicos fundamenta, ainda, discussões sobre o exercício da cidadania no trânsito e a questão do incapacitado físico no Brasil.

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