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Motocicletas em tempo de acomodação

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    O fato de milhões de pessoas terem adotado a motocicleta como meio de transporte, ferramenta de trabalho ou de lazer, incomodou, e ainda incomoda, muitas pessoas. E passado algum tempo foi comprovada a linha ascendente do setor motociclístico que, diferentemente do que muitos imaginavam, mostrou não se tratar de uma onda passageira.
    Com isso, começou-se a vislumbrar o que podemos chamar de acomodação. A motocicleta está ganhando o seu espaço nas discussões do poder público, da sociedade e, principalmente, nas vias públicas.
    O trânsito, que durante décadas privilegiou o automóvel, vagarosamente vai sendo repensado a fim de ser compartilhado pelos usuários das vias públicas. Nesse contexto surge cada vez mais forte a figura do motociclista.
    Os mitos e as inverdades que são gerados a partir da incompreensão daqueles que definitivamente não apreciam o veículo de duas rodas vão sendo esclarecidos e, com isso, as normas vão sendo ajustadas levando-se em consideração as especificidades relativas ao uso da motocicleta.
    Quando o assunto é motocicleta quase que espontaneamente surge a menção aos acidentes, como se fora algo indissociável desse veículo em específico, o que para nós certamente não é. Pois, como coordenador do Programa de Prevenção de Acidentes com Motocicletas (Pram), inúmeras vezes me deparei com empresas cujos motociclistas estão há mais de 300 dias sem se envolver em ocorrências de trânsito. Além do mais, há uma série de situações que precisam ser consideradas.
    Hoje praticamente não há a tipificação do “acidente” de trânsito envolvendo motocicletas, pois é geralmente contabilizado como acidente de trânsito. Além disso, cabe lembrar que o perito somente é chamado se houver vítima fatal e, em minha opinião, a ausência da perícia no local do acidente somente contribui para o desconhecimento das causas reais que é fundamental para o trabalho de prevenção.
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