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Moto: presença perigosa nas ruas da cidade?

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    Com o aumento de facilidades para financiamento, o número de motocicletas no tráfego tem aumentado rapidamente. Em 2008, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) registrou cerca de 12,5 milhões de motos. A moto é mais atraente pela praticidade e pelo custo, de acordo com um leitor do Opinião e Notícia. “No fim das contas, chega a ser pelo menos metade mais barato que um carro, além de andar mais rápido.“ Mas, junto com o aumento deste tipo de veículo, tem crescido o número de vítimas em acidentes em todo o Brasil.
    De acordo com o ministério da Saúde, em 1990 houve 299 mortes com motocicletas. Em 2008, os registros chegaram a 8.734. Se considerarmos o número de feridos, somam-se a esse montante mais 161.785 pessoas.
    Além de causar vítimas, os acidentes terrestres ocasionados por todos os tipos de veículos geram gastos ao governo. De acordo com dados do site do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), são R$ 28 bilhões por ano entre despesas hospitalares, indenizações e outros custos envolvidos nessas ocorrências.
    Entre as principais infrações cometidas, estão excesso de velocidade, atropelamento, ultrapassagem de sinal vermelho e falta de equipamentos obrigatórios. Embora não seja proibida, a circulação de motos nos chamados corredores também é motivo de preocupação. “Motoqueiro praticamente fura todas as leis de trânsito. Sinal fechado com certeza é a mais frequente, mas tem ainda subir na calçada e andar na contramão“, afirma o leitor, que costuma usar motocicleta.
    No Brasil, a pouca fiscalização e a impunidade incentivam que os motociclistas cometam mais infrações. Apesar de o Denatran regulamentar as atividades de trânsito no país, percebe-se que há carência de políticas públicas bem planejadas e aplicadas para diminuir o número de acidentes.
    De acordo com um relatório publicado pela Organização Mundial da Saúde em 2009, dos países que compõem as Américas, apenas Canadá, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Jamaica, Bahamas e México (25% do total) afirmaram ter uma estratégia nacional de segurança nas estradas aprovadas pelo governo, que conta com objetivos mensuráveis e com financiamento específico para aplicá-las. Os Estados Unidos chegaram a investir US$ 838 milhões em 2008.

Layse Ventura


Originalmente publicado no site Opinião e Notícia em 02/04/2010.

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