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Mobilidade em tempo de festas

O estresse acumulado e a falta de paciência com os congestionamentos de fim de ano podem liberar um alterego muito perigoso: o motorista nervosinho.

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O senhor Walker é um cidadão pacato, gentil, que não faria mal a uma formiga. O Senhor Wheeler é um motorista agressivo, que acredita que o fato de pagar impostos lhe confere direitos de posse sobre as vias. Wheeler desrespeita os pedestres e abusa da velocidade e, porque não, da sorte. No fim, Walker e Wheeler são a mesma pessoa. O último seria o alterego do primeiro quando entra num carro e “se deixa levar pela forte sensação de poder”. Essa história é o enredo do desenho animado bastante conhecido e utilizado por especialistas para falar do comportamento dos motoristas no trânsito.

A confusão e o caos mostrados na animação são, de fato, exacerbados. Mas, se levarmos em conta a influência do ambiente social, principalmente em determinadas épocas do ano, talvez a representação dos personagens do Pateta fique mais próxima à realidade. E, que época, senão o fim de ano gera mais movimentação nos centros comerciais e, consequentemente nas vias?

O intenso fluxo viário durante o período de festas de fim de ano, seja para fazer compras ou para realizar viagens de férias, aumenta o tempo de permanência no veículo e o resultado, segundo Jéssica Miolla, psicóloga especializada em trânsito, potencializa os traços de estresse nas pessoas. “As condições de tráfego interferem diretamente no estado psicofisiológico dos usuários, o que significa irritabilidade e comportamento mais agressivo na direção e, portanto, mais insegurança”, diz. Ela ainda destaca: “quem não fica estressado nos congestionamentos típicos desta época? Aumentam o uso da buzina, os xingamentos, o confronto físico, a alta velocidade e os acidentes”.

Crédito: Arquivo pessoal

As condições de tráfego interferem diretamente no estado psicofisiológico dos usuários de trânsito, o que significa irritabilidade e comportamento mais agressivo, diz psicóloga.

Cenário esperado – fim de dia a hora de voltar para casa já é um transtorno e não é diferente para quem estende a jornada para fazer as compras de Natal nos shoppings e centros comerciais. “Acumulam-se ao cansaço, as chuvas de verão, as preocupações com a localização de vagas para estacionar e para organizar o tempo e a lista de compras em lojas cheias”, elenca Maria Amélia Franco, especialista em gestão de trânsito e mobilidade urbana da Perkons. Ela ainda sugere: “Procure fazer compras pela internet, em grupos para praticar a carona solidária ou então aproveitar para ajudar o comércio local do seu bairro, fazendo compras na sua região. Isso estimula os deslocamentos a pé e reduz os engarrafamentos”.

A corrida por presentes requer também atenção redobrada na operação do trânsito nos grandes centros. Como as lojas ficam abertas até mais tarde, é necessário melhorar o policiamento, garantir a frequência do transporte coletivo e ter equipes extras de agentes para orientar o tráfego. “Além do fluxo de carros, é preciso lembrar que há mais pedestres circulando e, por isso, os riscos são maiores”, alerta Maria Amélia.

 

Shoppings investem em tecnologia para aumentar conforto e atrair os motoristas

Para aumentar o bem estar dos clientes alguns shoppings lançaram mão da tecnologia na hora de ajudar o motorista a encontrar sua vaga no estacionamento. Há dois anos, o MorumbiShopping, localizado em São Paulo instalou um sistema com sensores e luzes que sinalizam vagas exatamente onde elas estão. Posicionados sobre as vagas, cada sensor detecta a presença de veículos e acende uma luz vermelha, indicado que o espaço está ocupado. Quando o carro se retira, o aparelho faz a leitura e aponta o local como vago, acendendo então uma luz verde. 

Crédito: divulgação

Shopping centers utilizam tecnologia com sensores e iluminação para avisar o motorista sobre as vagas disponíveis.

Dicas para lidar com os “nervosinhos”

A psicóloga orienta sobre a conduta correta quando nos deparamos com uma discussão nos trânsito: “O melhor é evitar confronto e deixá-lo ir embora sem reagir. O motorista ‘nervosinho’ está atentando contra a vida das pessoas no trânsito e expressando um comportamento individualista. Os frequentes comportamentos individualistas não devem ser respondidos com a adoção de outro comportamento que ameaça a coletividade. O bom motorista não está preocupado somente com a sua direção, mas também com os outros motoristas que podem representar uma potencial ameaça a sua vida”, afirma.

Além da paciência, cautela e atenção, é necessária a percepção de que o trânsito é um fenômeno coletivo e que as condutas individuais repercutem sobre os demais. “O mais importante é perceber as reais ameaças presentes no trânsito e que a irritabilidade atuará contra sua saúde e segurança. Quando percebemos a magnitude dos riscos presentes no trânsito, automaticamente procuramos dirigir de uma maneira mais cautelosa, prudente e calma, pois sabemos que é o nosso comportamento agressivo que poderá causar danos”, conclui.

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