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Lei Seca é colocada à prova

Grupos de inteligência são utilizados pelo poder fiscalizador para minimizar uso da tecnologia para burlar as blitze

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Com pouco mais de cinco anos de vigência, a chamada Lei Seca modificou o Código de Trânsito Brasileiro, tornando menor a tolerância quanto ao uso de bebida alcoólica pelo motorista. Segundo a ICAP, sigla em inglês para Centro Internacional para Políticas sobre o Álcool, sediado nos Estados Unidos, entre uma lista de 90 países o Brasil está entre os que têm legislação mais rígida em relação à tolerância ao consumo de álcool e direção.

Para reduzir estes números a Polícia Militar (PM), por meio do BPTran –  responsável pela fiscalização de trânsito nas cidades – intensifica as barreiras de abordagem, com um novo foco: o de não permitir que a troca de informações entre motoristas e usuários da internet possa diminuir a efetividade das blitze.


Para tornar a fiscalização mais eficaz, PM reduz o tempo de atividade no mesmo local. Crédito: Paulo Rosa/ Detran Paraná.

Para combater os “fujões” da fiscalização, a PM atua em três frentes: a primeira em relação à própria blitz, reduzindo o tempo de atividade no mesmo local para pulverizar a cidade com pequenas barreiras. “Verificamos que depois deste tempo o movimento no local cai bastante, por isso preferimos atuar em um período de tempo menor, mudando de endereço mais vezes por noite”, esclarece o tenente do BPTran-PR Ismael Veiga.

Segundo o tenente Veiga, a Polícia Militar dispõe de uma equipe para monitorar as redes sociais – que embasa a atuação das equipes nas ruas – e atuar também com o chamado “contra serviço”, postando informações equivocadas para despistar quem busca desviar da fiscalização. “O ideal era que estes programas de internet não existissem ou que as pessoas tivessem consciência de que a fiscalização é importante para a segurança nas ruas. Como essa não é a realidade, por enquanto, continuamos agindo com fiscalização constante. A PM está ciente de que não podemos parar de fiscalizar até que a população seja educada a não beber e dirigir”, acrescenta.

Outra forma de abordagem usada pelo poder fiscalizador é posicionar agentes nos arredores das áreas de blitze. “Chamamos de ‘pinçamento’ a ação em que abordamos veículos que furam as blitze em rumos diferentes”, complementa Veiga.

Motoristas recorrem às redes sociais

O vendedor de carros, Marcio Campos, confirma que usa a internet para escapar da fiscalização e que muitas vezes deixou de frequentar locais, pois eram recorrentes na agenda das barreiras policiais. “Prefiro não ir a alguns lugares em que são grandes as chances de acontecerem blitze. Para saber com antecedência, uso principalmente o aplicativo Waze e o próprio Facebook, mas existem páginas no Twitter e grupos fechados que estão online 24 horas, com a ajuda de centenas de usuários”, diz.

Para Maria Amélia Franco, especialista em Gestão de Trânsito e Mobilidade Urbana da Perkons, embora as redes sociais sejam aliadas da gestão do trânsito quando o propósito é disseminar informações de tráfego, estimular a direção defensiva e a carona solidária, são um desserviço quando usadas para alertar sobre blitze. “Avisar sobre blitz é um ato contra a coletividade e atende ao interesse dos infratores. Isso traz à tona um problema que já existia: a falta de consciência de que beber e dirigir pode causar acidentes”, aponta.

Ela alerta ainda para o fato de que é preciso repensar as ações educativas. “Os números mostram que a audiência da internet no Brasil continua relativamente jovem e é o trânsito uma das principais causas de morte nessa faixa etária. Precisamos falar a linguagem desse público.

Se são nas redes sociais que acontecem os alertas, é nesse mesmo ambiente que é preciso promover campanhas de conscientização. Anúncios virais, com uma linguagem jovial e inovadora, que envolvam testemunhos de jovens e revelem a realidade sobre as consequências de quem ingere bebida alcoólica e dirige impunemente”, explica.

 

 


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