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Empresas investem em aplicativos para auxiliar no trânsito

Ferramentas  que prometem promover a segurança no trânsito precisam ser usadas com cautela, alerta especialista.

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Empresas investem em aplicativos para auxiliar no trânsito

A mais recente pesquisa da consultoria Nielsen sobre “O Consumidor Móvel“, divulgada em junho passado, revelou que 84% dos brasileiros possuem um celular e que três em cada dez usuários de telefonia móvel possuem um smartphone. Segundo dados do Instituto Ipsos Mediact, o Brasil possui hoje 19 milhões de usuários de smartphones. Com um mercado tão grande, cresce a cada dia a oferta de aplicativos que prometem facilitar muitos aspectos da vida, inclusive no trânsito. Mapa de postos de gasolina, locais com restaurantes disponíveis e até sensores de proximidade do veículo da frente já são tecnologias disponíveis gratuitamente aos motoristas que possuem o aparelho.


Santos diz que o condutor deve utilizar o celular fixo no painel.
Crédito: Gisele Góes

Os aplicativos prometem contribuir para um trânsito mais seguro. Entretanto, o especialista em Direito Administrativo de Trânsito da Perkons, Vanderlei Santos, alerta para os riscos do uso. “Dirigir requer que o motorista tenha atenção focada no trânsito, sobretudo o que se passa em sua volta. Uma simples chamada de celular no viva-voz pode ser o suficiente para distrair o motorista e provocar um acidente”, afirma. Além desse potencial de distração, Santos destaca que muitos condutores acionam e interagem com os aplicativos no trânsito. “Esse é um risco ainda maior! Quem optar pelo uso dessas ferramentas só pode acioná-las com o veículo estacionado e nunca deve manipular o smartphone durante a direção”, orienta.

O que diz a legislação

O uso do celular e aplicativos é regulamentado pela resolução 242/07, do Contran.  É permitido utilizar GPS para a orientação do condutor na indicação de trajetos ou sobre as condições da via. Para isso, os equipamentos devem ser previstos pelo fabricante ou utilizados como acessórios desde que fixos no painel do carro ou no pára-brisa.  O celular pode ser usado em um suporte, mas não deve ser utilizado solto no carro ou no colo. Quanto aos aplicativos, não podem emitir sons que não estão relacionados ao contexto do trânsito.Se o condutor descumprir a resolução 242, ele comete infração, conforme artigo 230, inciso XII, do CTB, que prevê aplicação de multa de R$ 127,69, cinco pontos na carteira e a retenção do veículo para regularização.

O especialista alerta ainda que os usuários de smartphones devem estar atentos à veracidade e atualização das informações oferecidas pelos aplicativos. Por isso, ele recomenda que o motorista certifique-se de que as informações passadas são confiáveis. Ele analisa, por exemplo, aplicativos disponíveis no mercado que indicam a localização dos postos de gasolina mais próximos. “Não basta indicar o local certo e orientar que o motorista vire em uma rua na contramão. Como a dinâmica das ruas está em constante mudança, especialmente nas grandes cidades, os aplicativos precisam ser sempre atualizados e isso nem sempre acontece”, afirma.

Além disso, Santos diz que o condutor deve considerar que o software não entende o funcionamento do trânsito, porque ele não é inteligente. Por exemplo: no caso de um aplicativo do tipo GPS, a ferramenta não é capaz de saber que o caminho mais curto pode não ser o mais seguro, pois está programado para indicar somente a menor distância. Outra situação: um programa que indique os locais para estacionar não considera que em uma via expressa, após as 20 horas, é possível estacionar. “São situações que o motorista deve levar em conta que o aplicativo pode auxiliar, mas não é a solução para os seus problemas no trânsito”, alerta.

Direção segura

Entre as novidades desse novo mercado de tecnologia, dois aplicativos para smartphones são oferecidos por seguradoras para evitar que os motoristas se envolvam em acidentes de trânsito. O lançamento mais recente chama-se Safety Sight, desenvolvido pela Yasuda Seguros e Marítima Seguros, subsidiárias do Grupo Sompo Japan Insurance Inc. Com tecnologia japonesa, o aplicativo está disponível para celulares Android (a partir da versão 4.0) e iOS (a partir da versão 5.0) para segurados ou não das companhias. Desde o lançamento há dois meses, já foram feitos mais de seis mil downloads, segundo a seguradora. “A ideia é promover a segurança no trânsito. Enquanto o motorista reduz riscos ele também se conscientiza sobre a forma de conduzir o veículo com mais segurança”, explica o diretor vice-presidente da Yasuda Seguros, Luiz Macoto Sakamoto.

O Safety Sight faz o monitoramento do tráfego através da câmera do smartphone. Por meio das imagens captadas, o aplicativo interpreta a distância e velocidade entre os veículos e comunica, por meio de sons e vozes, a aproximação com o veículo da frente, auxiliando o motorista a evitar acidentes. Para funcionar, o aparelho deve estar fixado no painel do veículo em suporte apropriado.

Sakamoto explica que o aplicativo ainda oferece outras funcionalidades ao motorista, como a exibição do percurso e locais de manobras bruscas no mapa, gravação automática do cenário em caso de acidente, acesso aos contatos emergenciais em situações de acidentes ou falhas, além do próprio aviso sonoro para a condução segura.

Para o diretor comercial da MapLink, Frederico Hohagen, os aplicativos para trânsito são um facilitador imprescindível para as pessoas que se deslocam diariamente nas grandes cidades. “Somos uma empresa focada em serviços baseados em localização e, com a abertura das lojas de aplicativos para smartphones, enxergamos a oportunidade de expandir a distribuição deste conteúdo que já disponibilizávamos na web”, afirma Hohagen. As informações de trânsito do aplicativo MapLink cobrem, hoje, cerca de 30 cidades brasileiras.

Segundo Hohagen, o aplicativo levou três meses para ser desenvolvido e alcançou a marca de um milhão de downloads. Uma nova versão está em fase final de desenvolvimento, trazendo mais informações de trânsito ao redor do usuário e também formas de interação. “Estamos buscando trazer um aplicativo com informações complementares para a melhor tomada de decisão do usuário, como o horário que preciso sair de casa para chegar a um compromisso ou  quanto tempo vou gastar no percurso até uma reunião ou o aeroporto, além de outras situações importantes para o deslocamento”, adianta.

Hohagen acredita que ter acesso à informação de trânsito será cada vez mais relevante na vida de quem mora nos grandes centros urbanos. “A tendência no futuro é disponibilizarmos a informação de trânsito não somente em tempo real, mas sim como estará o trânsito daqui a três horas ou amanhã, muito parecido com o que temos com a previsão de tempo. Este é o trânsito preditivo que desenvolvemos baseado em dados históricos que coletamos nos últimos três anos”, revela.

Saiba mais
A maior parte dos aplicativos relacionados ao trânsito pode ser baixada gratuitamente. Um dos mais conhecido é o Waze, mas existem também o Estacione, que oferece as melhores dicas de estacionamento na região onde o motorista se encontra, o Fale Trânsito, que permite a informação do trânsito de ruas e estradas de diversas cidades por voz, e o Social Fuel, que localiza postos de combustíveis com os respectivos preços.

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