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Comportamento no trânsito

por Salete Romero*

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O trânsito é o deslocamento de pessoas, estando elas dentro ou fora de veículos.
O que ocorre é que, com a pressão de tempo, de compromissos e tarefas cada vez mais acentuadas no dia a dia das pessoas,  somado ao estímulo de compra de veículos cada vez mais velozes e potentes, o trânsito vem sendo cada vez mais uma disputa de espaço onde “quem pode mais, chora menos”.
Neste sentido, é comum vermos muitas situações no trânsito em que pessoas mais privilegiadas com um veículo maior ou mais potente se sinta “superior” aos outros que estão dentro de veículos menores ou que estão até, fora deles, no caso de pedestres.
Por outro lado, os motociclistas tem a vantagem de serem mais rápidos e, com isso também são marginalizados por desalinharem um trânsito que já está, na verdade, todo desalinhado.
Existe ainda o pedestre, neste cenário que não se sente como elemento do trânsito. Para ele as regras são feitas somente para os veículos e dessa forma ele somente julga os condutores mas dificilmente percebe que contribui muito para a construção do caos quando atravessa em locais inadequados surpreendendo os motoristas.
Olhando por outro lado, todos criticam todos!
O condutor critica o pedestre mas esquece que também é pedestre e, em grande parte das vezes, também não atravessa na faixa, por exemplo.
O motociclista reclama que o motorista não o respeita, mas não sabe ele que o veículo de passeio possui, no mínimo, 22 pontos cegos (na verdade, a maioria dos motoristas também não sabem) e que, por isso, deveria trafegar no “corredor” com sua moto, somente quando os veículos estivessem em congestionamentos ou ainda parados.
Os condutores de veículos reclamam das motocicletas mas gostam quando estão em casa e a pizza, o contrato, o medicamento chega rapidinho…….” E ahhh, se não chegar!”.
Os taxistas reclamam dos condutores de ônibus, os caminhoneiros dos ciclistas mas, na verdade, todos reclamam de todos!
Todos acabaram se agrupando de maneira a, independentemente se está certo ou não, o outro é quem está errado!.
Pode reparar, é raríssimo alguém, depois de um acidente ou “quase acidente”, assumir a sua contribuição naquele infortúnio.
Isso ocorre porque criamos no trânsito uma cultura da Lei de Gerson, só quero levar vantagem, independentemente dos meus deveres – até porque a grande maioria não os reconhece.

*Salete Romero
Especialista em Psicologia do Trânsito – CRP/SP 06/411
CONDU – Empresa Especializada em Segurança no Trânsito

Opinião originalmente publicada no jornal Expresso, em 12/01/2012.

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