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Anodinia

por Ildo Mário Szinvelski*

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Com o final do Carnaval e, para muitos, também do período de férias, abre-se espaço para pensarmos no novo e em mudanças para melhor. No trânsito também é tempo de reflexão sobre o nosso comportamento e o que pode ser feito para melhorarmos a segurança individual e coletiva nas vias públicas. Sejamos, neste período que se inicia, mais responsáveis, cuidadosos, solidários, sadios, razoáveis e mesmo alegres no trânsito.
Hoje, convivemos com a “anodinia”, uma espécie de anestesia da capacidade de nos sentirmos impressionados pela violência. Um mecanismo psicológico de defesa nos leva a desvalorizar conteúdos dolorosos, banalizando as mortes e terríveis ferimentos causados pelos acidentes de trânsito. Precisamos urgentemente recuperar nossa sensibilidade para que possamos superar e modificar essa situação.
A felicidade, porém, encontra-se nas pequenas coisas da vida, como um olhar amigável, um sorriso, uma ajuda ao próximo. Por que não transferir essas possibilidades para o trânsito diário, ao dar a preferência ao pedestre com o gesto, ao facilitar a ultrapassagem ao outro condutor, ao ser gentil com o motorista do ônibus, ao abrir espaço para a ambulância e a viatura da policia, ao sorrir para o motociclista, ter paciência com os ciclistas, ao auxiliar a criança ou o idoso a cruzar a via, ao parar o trânsito para socorrer o cachorrinho perdido ou o gatinho apavorado?
Da mesma forma, por que não cuidar de si? Evitar o álcool antes de dirigir, conhecer e respeitar os limites do motor e os seus próprios, sem excessos, sem gritos, sem egoísmos e arrogância… Enfim, buscar com calma e tranquilidade a verdadeira introspecção para um comportamento mais solidário no trânsito.
A vida é cheia de significados especiais e não podemos perder a oportunidade de fazer a diferença – mesmo que a conduta do outro não seja a mais adequada. Assim, vamos conviver em paz, sem a culpa de colaborar para mais tragédias, ausências, saudades daqueles que nos deixaram por falta de uma simples atitude para o bem, para a vida. Lembremos sempre que, no trânsito, não temos segunda chance e que, após o erro, só nos resta o arrependimento. Isso deve ser suficiente para que lutemos contra a anodinia e recuperemos a sensibilidade que nos faz humanos.

 

*Ildo Mário Szinvelski
Diretor Técnico do Detran/RS

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