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Caminhoneiros enfrentam carga horária de escravidão nas estradas

Chat Perkons discutiu os principais problemas e a realidade vivida por motoristas de caminhões e ônibus
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    Motoristas de ônibus e caminhões são submetidos a uma carga horária tão excessiva e desgastante que é considerada regime de “escravidão“ por especialistas do setor de trânsito e transporte. “A realidade atual é de uma escravidão sobre rodas“, afirma o jornalista e coordenador do programa SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto.
    O assunto foi tema do chat “Jornada nas Estradas“, promovido pela Perkons na quarta-feira (25). Devido à carga horária excessiva, os motoristas de caminhões acabam recorrendo ao uso de rebites e sofrendo acidentes provocados pelo cansaço. 
    “O sono e o descanso são fundamentais e insubstituíveis“ diz o diretor do departamento de Medicina Ocupacional da Abramet, Dirceu Rodrigues Alves Jr, que é autor do livro “Manual de Saúde do Motorista Profissional“.
    Tramita no Congresso Nacional o projeto de lei 2660/96 que limita a quatro horas ininterruptas o tempo de direção do motorista de caminhões e ônibus. Mas para a Abramet, este período é longo demais. O tempo máximo recomendado pela associação é de 6 horas por dia, com paradas a cada 2 horas, por 10 minutos, para um alongamento e caminhada em local seguro para que o motorista possa seguir a jornada com segurança.
    “Não basta lei, mas rigor no seu cumprimento e fiscalização. A realidade é de motoristas cumprindo jornadas diárias de mais de 10 horas. Rodo as estradas e não vejo motoristas de ônibus sob efeito de álcool, mas dormir ao volante acontece todos os dias“, conta Rizzotto.
    Todos os especialistas que participaram do debate concordam que tanto os motoristas autônomos quanto os funcionários de transportadoras são vitimas de uma jornada excessiva ao volante.
    A relações publicas, Fernanda Miguel, que participou do debate por se interessar pelo assunto, contou a experiência de um amigo contratado por uma empresa para transportar carga em treminhões (caminhões com três carrocerias). Sua rotina é de mais de 10 horas diárias na direção.
    “O problema é que as empresas exigem a entrega, normalmente sem pensar no motorista. Meu amigo tem prazo para chegar ao destino, e quando ele chega, a empresa já o manda para outra cidade, sem que tenha um dia de descanso“, comenta Fernanda. E completa. “Ele é inclusive usuário de rebite (Desobesi) remédio para emagrecer, que compra em postos de gasolina, mas que só poderia ser vendido em farmácia, com receita médica.“
    A recomendação dos especialistas para mudar esta realidade é limitar o tempo de direção contínuo e diário, fiscalizando este tempo pelo tacógrafo, a caixa preta do setor; não permitir mais de 8h de direção por dia.
    “O motorista precisa ser visto como um trabalhador e não como escravo com agressões ao seu bem estar físico e mental“, afirma Dirceu Alves Jr.

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