Escrito por Redação Webtranspo: Marco Garcia
Carga horária intensa, insegurança, altos níveis de ruídos, más condições das vias e exigências no cumprimento de horários e itinerários. O contexto da profissão de motorista pode expor o profissional do volante a um número elevado de doenças ocupacionais, que podem transformar o ato de dirigir em um fardo pesado ao extremo, segundo um estudo realizado por Éber Assis dos Santos Júnior, médico especialista em Medicina do Trabalho.
A análise revelou que as atuais condições de trabalho dos motoristas de ônibus e caminhões afetam a rotina diária causando efeitos estressantes e insalubres ao profissional, com riscos grandes de desenvolver doenças coronárias.
''As más condições das rodovias, o estado precário de conservação dos veículos, a longa jornada de trabalho, ruídos constantes a exposição prolongada ao calor e componentes químicos são fatores que ameaçam diretamente a saúde desses trabalhadores'', observou o doutor.
Esse cenário foi constatado após uma comparação dos níveis de tensão do trabalhador comum com os de motoristas na ocasião da admissão nas empresas.
Para ele, nas condições de trabalho apontadas, o exercício da profissão é prejudicial à saúde, trazendo transtornos físicos e mentais, adoecimentos frequentes e morte prematura. Em alguns casos extremos há até tentativas de suicídio.
Sem revelar o número de profissionais que morrem por causa desses problemas, o estudo realizado apontou que problemas respiratórios, gastrintestinais, musculares, câncer de pele, na bexiga, no esôfago e doenças cardíacas isquêmicas (redução ou suspensão da irrigação sanguínea) vitimam uma parcela considerável da categoria. No Brasil, de acordo com a Unicam (União Nacional dos Caminhoneiros), existem atualmente 3,2 milhões de caminhoneiros.
Maior incidência
''Dores nas costas, resultado do sedentarismo e da vibração do corpo inteiro durante o trabalho, internação por hérnia de disco, surdez, dores de cabeça, problemas nos olhos e na medula óssea, além de fraqueza generalizada, são doenças que incidem duas vezes mais nestes profissionais, que no restante da população'', afirmou o especialista.
Para iniciar uma mudança no quadro atual, segundo o especialista, há uma necessidade de se realizar campanhas de conscientização que envolvam os motoristas e empresas de transporte. Além disso, os trabalhadores precisam relatar todo tipo de riscos que afetam o seu desempenho às entidades do setor.